
Menu original do Zimo

Interface do player de música

Meu mock up de um menu decente

Meu mock up para a interface do player
A saga de um iTard com um MP3 player genérico.
Eu sou bastante chato com o que uso. Não tive um MP3 player dedicado até ter um iPod, porque os outros eram muito ruins. (onde por outros se lê “players mais baratos que o iPod que sejam vendido no Brasil”)
Por muito tempo ouvi música no celular, já que ele pelo menos tinha uma interface decente e suportava playlists.
Mas ele tinha saida pra fone de ouvido proprietária e usar adaptadores pra conseguir usar um fone decente é triste. Esses adaptadores sempre quebram, sejam eles originais ou da DealExtreme…
Desde que tenho meu iPod, nem pensei em usar outra coisa para ouvir músicas.
A interface dele é muito boa, a bateria dura bastante e não tenho problemas com o iTunes (tanto por gostar dele quanto por não precisar usá-lo - uso Linux e o Floola pra sincronizar o iPod).
Mas comecei a faculdade e logo na primeira semana a coordenadora do curso relatou alguns casos de roubo que aconteceram por lá. Então achei melhor deixar meu iPod em casa…
Mas eu não consigo viver sem música. Como sou chato com o que uso, prefiro não comprar algo do que comprar e ficar passando raiva.
Quando apareceu o iPod shuffle RED na Apple Store (R$199/1GB, não está mais disponível), eu fiquei bem tentado. É pequeno, é discreto e eu já namorava o shufle RED há um tempo…
Mas achei que gastar R$200 em um player com só 1GB era muito. Quando vi que conseguiria comprar dois HDs de 500GB com um pouco mais, desisti completamente.
Só que a falta de música persistia… Como minha mãe quase não usava o MP3 dela (um Zimo F20 de 1GB), ela peguntou se eu queria ficar com ele. Aceitei.
E, usando ele, não resisti a escrever sobre minha experiência com ele. (Ou: falar dos problemas sérios de usabilidade que essa coisa tem)
Começa quando você liga ele. Sei que é ser muito detalhista, mas a tipografia (*cof* fonte *cof*) usada nos menus dele, um tipo serifado e meio pixelado, é meio estranho. Não sei porque, mas isso me incomoda.
Mas isso é apenas um pequeno detalhe estético. Conforme você o usa, mais o player testa sua paciência.
Está ouvindo uma música e quer trocar? São sete cliques para chegar na tela com outros intérpretes, se você arrumar suas músicas em pastas Artista/Album/Musica.mp3 como eu faço e estiver na primeira música de um album.
Se estiver na metade do album, precisa ir até o início da lista de arquivos para subir na árvore de diretórios.
Se você estiver ouvindo música enquanto procura a outra faixa, seja rápido: quando a faixa muda, o seletor de arquivos vai automaticamente para a faixa que está tocando.
Então quando você está quase achando aquela música, tem que fazer o caminho todo de novo…
Aliás, levei um bom tempo pra entender o método de ordenação dos arquivos: Eles são mostrados de acordo com a data de modificação, o que faz com que as faixas fiquem bem desorganizadas.
A primeira faixa é a 15, depois vem a 03, a 16, 07 e por ai vai…. E não tem como mudar isso, é assim e pronto.
A interface do tocador de música é uma penteadeira de dama que presta serviços de treinamento reprodutivo.
Mostra o volume atual, o bitrate da música, o modo do equalizador, o estado do shuffle (mesmo quando este está desabilitado) e três inúteis botões de retroceder, parar e avançar. Ah, e tem uma animação de equalizador inútil na tela.
Espaço para o nome da faixa, do artista e do album? Ficam espremidos em uma linha, onde as três informações ficam se revezando.
Quer pegar o player e saber, em uma olhada, que faixa está tocando? É impossível.
Outra coisa terrível é a bateria. Enquanto meu iPod, com a bateria quase morrendo, é capaz de tocar música por umas quatro ou cinco horas, o Zimo com a bateria cheia não chega a isso.
E olha que meu iPod tem um HD dentro dele. O Zimo usa apenas memória flash interna e um cartão SD…
E por falar no SD, para acessar as músicas dele, é preciso ir no menu de configurações e selecionar o cartão como a mídia ativa.
O ideal é que o “explorador de arquivos” usado para procurar músicas permitisse usar tanto o SD quanto a memória interna, mas isso não chega a ser um grande problema - todas minhas músicas estão no SD.
Só que toda vez que desligo o Zimo, ele esquece que está usando o cartão. Então sempre que vou ouvir algo que esteja no SD, preciso ir ao menu de configurações e selecionar o cartão.
Se considerar que o player ainda demora um pouco pra iniciar com o cartão, já que ele lê todos os diretórios para saber quantas músicas tem ali, dá pra imaginar o quão prático é…
De surpresas, apenas o fato que o som dele é muito, muito alto. Quando chego em casa e troco ele pelo iPod, a impressão é que tem algo errado no iPod.
O som do iPod no máximo é parecido com o do Zimo pouco acima da metade (em 18 - ele vai até 32). Mas em compensação a qualidade de som do iPod é maior, dá pra ouvir backing vocal e instrumentos com mais nitidez.
Não resisti a brincar com o GIMP e fazer um rápido mock-up de uma interface mais decente pro Zimo. nada que o player já não faça, só que arrumado de forma mais decente - e com uma tipografica ao menos aceitável2. Ela deve aparecer na galeria de imagens, ai em cima do post.
É uma pena ele não ser open-source1, já que a maioria dos problemas são por pura programação porca. Se ele lembrasse que está usando o SD, organizasse decentemente as músicas e me deixasse saber que música está tocando mais rápido, seria um player bem melhor.
1 A base do Zimo é a plataforma S1MP3 - existe há muitos anos um projeto de firmware open-source para eles, mas nunca deu frutos…
2 Sim, Helvetica-lovers, meu mock-up usa Arial. Não porque eu não goste da Helvetica, mas, honestamente, o que você acha que um player chinês usaria? Por mais que não se importem com os royalties cobrados pela Helvetica (e pela Arial também), provavelmente usariam uma cópia safada dela. E nada ilustra melhor o verbete “cópia safada da Helvetica” como a Arial.
